Experiência Sonora Imersiva: O Novo Varejo Sensorial
A Mizuno montou em São Paulo uma loja temporária onde os clientes ouviam antes de comprar. Entre as coleções da marca, havia curadoria de vinis, DJs ao vivo e objetos que produziam som ao toque. O projeto aparece no Trend Radar 2026, da agência Soho Experiential, como exemplo de varejo guiado por comunidade.
O varejo sensorial de 2026 segue essa direção e trata o espaço físico como palco para experiências completas. O som faz parte dessa composição e costuma ser a parte menos planejada, mesmo sendo um dos sentidos que mais rápido alcança quem entra.
O que é varejo sensorial e por que o som ficou para depois?
Varejo sensorial é a prática de projetar uma loja para todos os sentidos do cliente, com luz, aroma, textura e som trabalhando juntos. O conceito tem nome técnico desde 1973, quando o professor Philip Kotler publicou no Journal of Retailing o artigo que cunhou o termo atmospherics, ou atmosfera de loja.
Para ele, a atmosfera é o “design consciente do espaço para criar certos efeitos nos compradores”. Mais de cinco décadas depois, layout e iluminação ganharam briefing e orçamento. O som, em muitas lojas, ainda é uma playlist aberta em um aplicativo.
Charles Spence, professor de psicologia experimental da Universidade de Oxford e autor do livro Sensehacking, observa que olhos e ouvidos já estão sobrecarregados quase o tempo todo, por telas, anúncios e notificações, enquanto tato, paladar e olfato recebem pouco estímulo.
Para o design sonoro de uma loja, isso significa que o cliente chega com os ouvidos cheios e precisa encontrar uma paisagem sonora composta para aquele espaço, aquela marca e aquele momento. Spence resume o tamanho da oportunidade em uma frase: os varejistas “são loucos de não pensar em som”.
O que a pesquisa mediu dentro das lojas?
Em 1982, o pesquisador Ronald Milliman publicou no Journal of Marketing um experimento feito em supermercado. Nos dias de música lenta, perto de 72 batidas por minuto, os clientes circularam mais devagar e o volume de vendas foi 38,2% maior do que nos dias de música rápida. O tempo de permanência, que o mercado chama de dwell time, é até hoje um dos indicadores centrais do varejo físico.
Em 1999, Adrian North, David Hargreaves e Jennifer McKendrick tocaram música francesa e alemã em dias alternados diante de uma prateleira de vinhos. Com música francesa, os vinhos franceses venderam mais que os alemães, e com música alemã o resultado se inverteu.
Em um resumo do pesquisador J. Scott Armstrong, o vinho francês vendeu cerca de cinco vezes mais que o alemão nos dias de música francesa, e o alemão vendeu cerca do dobro nos dias de música alemã. Além disso, 86% dos clientes disseram que a música não havia influenciado a escolha. O efeito aparece quando o som é congruente com o produto e atua sem ser notado.
Um caso mais recente vem do varejo de aeroporto. No aeroporto de Glasgow, a consultoria The Sound Agency introduziu som de pássaros na área de lojas, o que desacelerou os passageiros e elevou as vendas em até 10%, segundo reportagem do The Grocer.
Uma pesquisa de agosto de 2026, encomendada pela plataforma Faire a consumidores do Reino Unido, mostra a percepção do público: 83% dizem notar de imediato se a loja cuidou do ambiente, 87% ficariam mais tempo e 73% gastariam mais do que o planejado em uma loja assim. Música alta é o segundo fator que mais afasta clientes, citado por 53%. Por ser um levantamento de percepção feito sob encomenda, ele indica o que o consumidor diz sentir. Os experimentos de campo acima indicam o que ele comprou.
Como o consumidor vive uma loja com e sem design sonoro?
A professora de psicologia do consumidor Cathrine Jansson-Boyd afirma que a maioria dos compradores forma uma opinião sobre uma loja em cerca de 20 segundos, muitas vezes sem perceber. Nesse intervalo, o cliente ainda não leu uma etiqueta. Ele já escutou o ambiente.
Sem projeto sonoro, o que chega ao ouvido é uma soma ao acaso de playlist genérica, ruído de climatização, bipe de caixa e conversas de bastidor. Com projeto, cada camada tem função: o volume permite conversar, o andamento acompanha o ritmo de circulação desejado e a escolha musical conversa com o que está na prateleira.
O estudo de North mostra por que essa diferença raramente vira crítica explícita. O cliente atribui o resultado à marca, ao produto ou ao atendimento. Diz que gostou da loja, que ficou à vontade, que o lugar tem clima.
Descanso cognitivo: o novo luxo do varejo
O Trend Radar 2026 coloca a calma como novo símbolo de status. O relatório descreve experiências desenhadas para oferecer descanso cognitivo e conforto emocional e afirma que, em um mundo hiperestimulante, criar pausas se torna diferencial competitivo. No Brasil, o espaço da Natura na área VIP do Rock in Rio 2024 reuniu áreas de descanso e massagem para convidar à presença, segundo o Promoview.
No varejo, as iniciativas de Hora Silenciosa aplicam o mesmo princípio ao som. O Salvador Shopping inaugurou em 2023 uma hora mensal, no primeiro horário de funcionamento do último sábado do mês, com música ambiente desligada, luzes piscantes apagadas e iluminação reduzida.
Na rede chilena Unimarc, a prática acontece todos os dias, das 15h às 16h, em 222 supermercados. Esses projetos nasceram da inclusão de pessoas com autismo e de suas famílias, e provam que reduzir estímulo é uma decisão de projeto, com método e treinamento de equipe. Silêncio, nesse contexto, é composição: a ausência de música tem hora, duração e intenção. Para o cliente, o efeito aparece como alívio, e para a loja aparece como permanência.
Como a Zanna Sound está contribuindo nessa corrida da experiência?
Um exemplo recente é o projeto desenvolvido pela Zanna Sound para a Gela Boca, marca com presença no Sul e em outras regiões do Brasil. Na loja conceito, a Flagship, a Zanna Sound participou da criação de uma experiência que foi muito além da identidade sonora, integrando música, iluminação, efeitos de fumaça e outros elementos ambientais para envolver os clientes e transformar a experiência de compra.
O faturamento mensal da loja, que era de R$ 69 mil, chegou a R$ 500 mil após a implementação do projeto, um salto que reforça o potencial das experiências sensoriais como ferramentas estratégicas para o varejo.
Na corrida pelo varejo sensorial, a loja deixa de ser apenas um ponto de venda para se tornar um ponto de experiência. É nesse território que a Zanna Sound vem ampliando sua atuação, conectando Sound Branding, comportamento e experiência de marca para explorar novas possibilidades de interação entre empresas e consumidores.
Por que o futuro do varejo físico passa pelo som?
Spence afirma que as lojas físicas oferecem algo que uma tela não oferece, desde que o conjunto dos sentidos soe natural. As marcas já exploram isso com cabines de audição e listening bars, formatos que reúnem escuta concentrada e ambiente.
O Promoview lista a Netflix e o Spotify com o Graveyard Gala, a Audible com estações de audição no Festival de Sundance, a Sol de Janeiro com orelhões transformados em cabines de audição, o listening bar do Boticário no Dia do Amor de 2024, com vinil e monitoramento de batimentos cardíacos, e o Single Night Bar da Heineken, em São Paulo, em abril de 2025.
Para transformar essa vantagem em projeto, quatro decisões orientam um bom design sonoro de loja. A primeira é o andamento: batidas mais lentas desaceleram a circulação, e batidas mais rápidas aceleram. A segunda é o volume, que precisa permitir conversa e respeitar quem sofre com sobrecarga sensorial.
A terceira é a congruência: Spence alerta que música de ritmo acelerado combinada com um aroma relaxante entrega sinais contraditórios. A quarta é a pausa, o silêncio planejado como parte da jornada.
O som sempre esteve na loja. O que muda no varejo sensorial é a autoria: alguém decide o que o cliente ouve, por quê e por quanto tempo. Na Zanna Sound, essa decisão é tratada como projeto de sound branding e design sonoro, com escuta do espaço e método.
Se a sua loja, showroom ou ponto de venda quer criar uma experiência sensorial imersiva, o primeiro é falar com a gente. Fale com a nossa equipe e comece essa conversa.
Próximo artigo
Music branding e impacto afetivo do som
Music branding une música, software e emoção para criar experiências de marca. Entenda como moods e impacto afetivo mudam o que o público sente e escolhe.
Leia mais