A Evolução do Som na Comunicação
Como o som se tornou uma linguagem de marca?
Muito antes do termo Sound Branding existir, as marcas usavam o som, a música, porém de forma aleatória. No início do século XX, o rádio foi o primeiro palco sonoro das empresas. Não havia imagem, não havia interação visual. A voz, a música e os efeitos sonoros eram a única via de comunicação.
Nesse contexto, o som era apenas um complemento. Os locutores se tornavam reconhecíveis através de suas vozes, os jingles eram memorizados com facilidade para vender produtos e as marcas passaram a ser lembradas pela repetição dessas musiquinhas.
O rádio ensinou algo fundamental que ainda vale hoje: o som pode criar intimidade entre as marcas e as pessoas.
Qual foi o papel dos jingles na Evolução do Som na Comunicação?
Da década de 1930 a 1970, os jingles se tornaram o principal instrumento sonoro das marcas. Eram músicas curtas, fáceis de memorizar e repetidas à exaustão. O objetivo era claro: fixar o nome da marca na mente do consumidor.
No link abaixo você ouve o primeiro jingle produzido da história que se tem notícia. Em 1926 nos estados unidos e o primeiro jingle produzido no Brasil para uma padaria:
Assim começamos a entender que o som podia ser poderoso na comunicação, mas ainda não se sabia sobre identidade sonora. Ainda que de forma intuitiva, as marcas começaram a entender que ritmo, melodia e timbre influenciam percepção, emoção e lembrança.
Com o tempo, porém, o excesso de repetição tornou muitos jingles invasivos. O público começou a rejeitar abordagens muito agressivas, abrindo espaço para uma evolução mais sensível do uso do som.
Quando surgiu o Sound Branding?
A virada aconteceu com a digitalização da comunicação. A partir dos anos 2000, as marcas passaram a se manifestar em múltiplos pontos de contato: sites, redes sociais, aplicativos, vídeos, jogos, sistemas de atendimento e ambientes físicos cada vez mais sensoriais.
Nesse cenário fragmentado, surgiu a necessidade de coerência. Não bastava ter um jingle ou uma trilha isolada. Era preciso criar um sistema sonoro. Assim nasce o Sound Branding como disciplina estratégica, conectando música, voz, efeitos e silêncio em uma identidade sonora única.
A Zanna fundou a Zanna Sound com a missão clara de criar Identidades Sonoras para marcas. Ela morava nos EUA quando teve a ideia do Sound Branding, pois ficava muito incomodada com a presença pouco estratégica do som nos filmes publicitários na TV.
"As pessoas me olhavam como se eu fosse um ET quando ia apresentar o Sound Branding para as agência em Nova Iorque"
Assim, teve a ideia de criar a marca sonora que pudesse ficar nos ouvidos das pessoas. Mas não se deu por satisfeita criando apenas o Logotipo Sonoro, ela criou sua metodologia própria de Sound Branding, que inclui um guarda chuva estratégico de sons para atender as diferentes demandas da comunicação das marcas. Vários ativos musicais a serem aplicados em vários meios usados pelas empresas. Tais como: Música, Logotipo Sonoro, Voz da Marca e o Tom Verbal da voz falada.
Ao mesmo tempo, outras empresas na Alemanha começaram a desenvolver projetos de Identidade Sonora paralelamente a Zanna Sound no Brasil. Dessa forma, o som passou a ser pensado para impactar cognitivamente as pessoas e ao mesmo tempo gerar experiências agradáveis e afetivas.
Ele orienta, acolhe, informa e cria vínculos. Surge também o conceito de Sound UX, em que cada interação sonora é desenhada para facilitar a jornada do usuário
Como o streaming e os dispositivos móveis mudaram tudo?
Com o streaming, o som tornou-se ainda mais pessoal. As pessoas passaram a ouvir música com fones, em momentos íntimos, no ritmo da própria rotina. Isso exigiu das marcas uma abordagem mais respeitosa e contextual.
É nesse momento que entram conceitos como curadoria musical, playlists, música ambiente para loja ou música ambiente comercial pensadas de forma estratégica e de acordo com as características da marca. O som deixa de ser imposto e passa a ser escolhido. A marca precisa merecer ser ouvida.
Assim, a Identidade Sonora se expande, pois ela não vive mais apenas nos comerciais televisivos, na publicidade, mas sim na URA (atendimento telefônico), nas redes sociais, nas lojas, nos aplicativos, nos espaços físicos e virtuais de marca, gerando uma experiência contínua com o consumidor.
Para onde o Sound Branding caminha?
O futuro do Sound Branding é conduzir as marcas para um comercial cada vez mais ético, para um sensorial cada vez mais curativo. Tecnologias imersivas, inteligência artificial e interfaces invisíveis vão exigir ainda mais sensibilidade no uso do som.
Mais do que reconhecimento, o Sound Branding já possibilita criar conexão afetiva genuína com as pessoas. Todavia, as marcas ainda não estão atentas ao poder que o som tem de curar. Cada vez mais as empresas vão se interessar em promover cura e bem estar. Neste cenário, o som será seu melhor parceiro e as estratégias de Sound Branding terão como premissa o som na cura dos seus públicos.
Você se identificou com o tema sobre a evolução do Sound Branding e quer saber mais sobre como explorar o som como linguagem estratégica em novas tecnologias e pontos de contato digitais, fale com a gente.
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