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Tendências do Sound Branding em 2027
O som é tão importante para uma marca quanto sua identidade visual?
Feche os olhos por um segundo e pense em uma marca. Antes mesmo do logotipo aparecer na sua mente, é bem provável que um som já tenha chegado primeiro, a vinheta de abertura de um streaming, o toque de notificação de um aplicativo bancário, ou um jingle de uma propaganda. Esse é o poder do Sound Branding, e em 2027 ele deixa de ser coadjuvante para se tornar protagonista da estratégia de marca.
Nos primeiros anos do segmento, Sound Branding era entendido praticamente como sinônimo do jingle: uma música curta, uma ferramenta de publicidade, que ficava “na cabeça” do consumidor. Anos de trabalho técnico e de evangelização de mercado foram necessários para que se entendesse algo mais profundo.
O som é um ativo de marca, no mesmo patamar estratégico do logotipo visual, da paleta de cores e do tom de voz. Ainda existem marcas que não perceberam essa potência, mas os dados de 2027 mostram, sem meias palavras, o custo de ignorar o som.
O tamanho do problema: a "anonimidade sonora"
O relatório Best Audio Brands 2026, da agência de Sonic Branding Amp, que hoje faz parte do grupo WPP, analisou mais de 150 marcas globais e chegou a um retrato pouco confortável do mercado: em média, as marcas usam música de banco de dados (Stock Music) em 61,9% de todo o seu conteúdo.
O resultado, segundo o próprio relatório, é que a maioria das marcas se torna sonicamente intercambiável, quase anônima, em meio ao ruído.
Bjorn Thorleifsson, diretor de pesquisa e insights da Amp, resume o problema de forma direta: as marcas estão confundindo “áudio único” com “áudio que pertence à marca”. É a diferença entre tocar uma trilha bonita e ter, de fato, uma voz da marca reconhecível, algo que só se constrói com repetição estratégica ao longo do tempo, como uma assinatura.
A boa notícia é que o próprio estudo aponta o caminho: marcas nota A não apostam em música genérica. Cerca de 30% do áudio que usam é de propriedade própria e, segundo Thorleifsson, “não soam apenas bem, soam como elas mesmas”. Entre os destaques do ranking 2026 estão nomes como Mastercard, Shell e Swiss Re.
Tendência 1: Do logotipo sonoro a comunicação sonora 360°
A primeira e mais importante virada de chave para 2027 é conceitual: Sound Branding deixa de significar apenas um logotipo sonoro de três segundos e passa a ser entendido como uma plataforma sonora de comunicação entre marca e público, e que vai estar presente em cada ponto de contato, do aplicativo ao atendimento, da loja física ao anúncio em vídeo.
O relatório da Amp reforça essa leitura ao mostrar que, mesmo com a fragmentação, 73% das marcas estudadas já incorporam o logotipo sonoro como parte de uma estratégia sonora mais ampla, sinal de que a peça começou a se conectar a um sistema maior, e não mais a existir isolada.
"(...) O som gera reconhecimento, conexão com os públicos com a marca e, inconscientemente, começa a preferi-la. As pessoas se sentem atraídas pelas marcas que tenham uma música porque isso soa cool, divertido, interessante e envolvente. Portanto, precisamos, no próximo ano, mais do que nunca, desenvolvermos uma comunicação sonora 360 graus"
Tendência 2: A voz da marca que dar vida às marcas
Se em anos anteriores o debate girava em torno de melodias e vinhetas, 2027 impõe uma pergunta mais incômoda para os times de marketing: qual é a voz da marca?
Assistentes de voz, carros conectados, caixas eletrônicos, aplicativos de banco e speakers domésticos fazem da interação por voz o novo ponto de entrada para praticamente tudo, entretanto poucas marcas pararam para desenhar, de forma consciente, como querem soar quando falam.
Tudo o que a marca transmite em forma de som, inclusive a voz que a representa em um assistente virtual ou em uma URA de atendimento, é Sound Branding. Não à toa, o próprio relatório da Amp já cataloga o voice branding como parte do repertório estratégico das agências líderes do setor, ao lado de logotipos sonoros e sons de interface (UX/UI).
Ignorar esse território é abrir mão de um dos canais de reconhecimento mais imediatos que existem: a voz é, literalmente, a forma mais humana de uma marca se apresentar.
Tendência 3: Inteligência Artificial como assistente, não como compositora
A IA generativa domina as previsões para 2027, mas o consenso entre as agências mais respeitadas do setor é mais sutil do que o hype sugere.
Segundo a Stephen Arnold Music, que se apresenta como “The World Leader in Sonic Branding” e assina identidades sonoras para marcas como CNN, Airbnb e ESPN: 2027 será o ano em que mais marcas vão experimentar adaptações de seus ativos sonoros feitas por IA, ainda que o elemento humano continue essencial para uma campanha de sucesso.
Outra análise do setor, publicada no portal LBB, usou um termo interessante para esse momento: “Sistemas Sonoros Modulares”, nos quais a IA é uma assistente de produção.
Um humano cria o núcleo criativo da música da marca, e a tecnologia entra depois, multiplicando essa base em milhares de variações consistentes para aplicativos, redes sociais e anúncios personalizados. A IA funciona como um assistente de estúdio incansável, mas não substitui o artista que assina a obra.
Tendência 4: Som como investimento com retorno mensurável
Se antes o Sound Branding era tratado como “algo bonito de se ter“, 2027 marca a virada para uma lógica financeira mais rigorosa. Um estudo da Kantar aponta que ativos de marca fortes, incluindo os sonoros, podem gerar até 76% mais poder de marca e 138% a mais em poder publicitário, número que muda a conversa de “isso soa legal?” para “qual é o retorno desse som?”.
Cresce também o movimento de registrar formalmente sons de marca, logotipos sonoros, sons de interface, vozes de assistentes, como propriedade intelectual, no mesmo espírito com que se protege uma marca visual.
Tendência 5: Áudio imersivo e espacial saindo do laboratório
Áudio espacial e direcional, até pouco tempo restrito a experiências de nicho, ganha escala em ambientes de varejo, estádios, exposições e parques temáticos. A Stephen Arnold Music descreve esse movimento como parte de uma busca por profundidade emocional: o som direcional e o design sonoro imersivo já são usados para guiar atenção, reforçar narrativas e criar profundidade emocional em ambientes de varejo e grandes eventos esportivos.
A curadoria sonora de uma loja física, nesse sentido, aproxima-se cada vez mais da trilha sonora de um filme, pode ser discreta, mas responsável por boa parte da emoção que fica na memória de quem passou por ali.
"Em 2027, vamos entender que Sound Branding não é apenas um logotipo sonoro, e sim uma plataforma sonora de comunicação 360 entre a marca e seus públicos"
O que fazer diante dessas tendências?
O primeiro passo é uma mudança de perspectiva. Enquanto o som da sua marca for tratado como um item isolado no checklist do branding, ele nunca vai entregar todo o seu potencial.
Agir diante dessas tendências significa expandir o olhar.
Trata-se de desenvolver uma experiência sonora 360˚, presente na voz do atendimento, no som do aplicativo, na playlist, ou curadoria musical do ponto de venda, e também na ausência estratégica de som. O silêncio.
E, talvez o ponto mais importante: tratar o lançamento de um som com a mesma seriedade estratégica de qualquer ativo visual ou de posicionamento, ou até mesmo de um lançamento de produto.
Isso quer dizer, pensarmos em estratégias e planos de comunicação no lançamento desse novo asset da marca, com objetivos claros, disseminação planejada e mensuração de resultado.
2027 não pede apenas um logotipo sonoro, uma música legalzinha no filme. Pede uma nova forma de escutar a própria marca em todos os seus pontos de contato consistentemente.
A Zanna Sound une ciência do som e estratégia de marca para criar identidades sonoras autênticas e escaláveis. Fale com a gente.
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