A Inteligência Artificial (IA) chegou e, com ela, novas realidades e possibilidades para os diferentes processos criativos. Nesse contexto, o futuro da composição e da produção musical é promissor, mas também desafiador para quem não quer abraçar o futuro.

Aqui, vamos explorar os impactos que a inteligência artificial tem na música e como podemos lidar melhor com esse cenário, aproveitando os benefícios que ela tem a oferecer.

Inteligência Artificial

Inteligência Artificial: uma ferramenta e não substituta

A inteligência artificial tem o potencial de ser uma ferramenta poderosa para os artistas, mas é improvável que substitua a criatividade humana de forma completa. A arte nasce das nossas experiências individuais e coletivas, das emoções que vivemos e sentimos e da nossa subjetividade, aspectos que a IA não possui de forma intrínseca e não estão contidos em um algoritmo.

Ao invés de substituir o aspecto humano das criações, a inteligência artificial pode ser uma parceira que expande as nossas possibilidades criativas e acelera os mais diferentes processos, servindo também como fonte de novas inspirações. Essa parceria pode ser uma relação simbiótica, onde a tecnologia complementa a criatividade humana.

Inteligência Artificial

Que artistas já usaram a inteligência artificial? Veja exemplos positivos e negativos:

Björk usou a inteligência artificial de forma inusitada “Kórsafn”, um projeto pioneiro de soundscape no qual a artista islandesa gerou uma série de vocais cantados por um coral virtual. Como se isso não bastasse, a verdadeira inovação é que os sons variam de acordo com os dados climáticos, alterando-se em tempo real e gerando composições dinâmicas e únicas com base na natureza. Sem dúvidas, a IA foi usada aqui para potencializar a sua visão artística, não substituí-la.

A compositora americana Holly Herndon treinou uma IA personalizada para colaborar vocalmente em seu álbum “PROTO”, lançado em 2019. A artista usou a inteligência artificial para experimentar novas texturas sonoras, mantendo a sua criatividade no centro.

“Por enquanto, a IA não existe de forma autônoma. Humanos criam arte com modelos de IA que são inspirados em humanos”, disse a artista.

Quais os benefícios da inteligência artificial para a música?

Aceleração de processos criativos: a IA pode dar aquele pontapé inicial no seu projeto e te ajudar a gerar uma primeira versão de ideias para melodias, harmonias ou letras.

Exploração de novos territórios sonoros: ferramentas como o Riffusion (geração de áudio a partir de imagens) e o Google Magenta permitem a experimentação de combinações inusitadas na criação de sons, vozes e instrumentos.

Acessibilidade: os avanços tecnológicos permitidos pela IA podem ser usados para ampliar o espectro da produção musical a pessoas com pouca formação técnica ou acesso a softwares e equipamentos profissionais, democratizando assim a criação artística.

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Quais os prejuízos da inteligência artificial para a arte?

Nem todas as interações entre artistas e inteligências artificiais são bem-sucedidas. Os problemas podem surgir quando a IA é usada sem ética, autorização ou respeito à autenticidade artística.

O uso da IA precisa ser guiado por intenções claras e éticas. Os artistas devem liderar o processo criativo, usando a inteligência artificial como um recurso que potencializa a visão humana. A autenticidade, a expressão emocional e a conexão com o público sempre serão elementos centrais da música e que dificilmente poderão ser replicados por máquinas.

Veja abaixo os exemplos de alguns casos polêmicos em que a IA pode ser usada de forma errada.

Deepfakes: Softwares de IA têm recriado vozes de artistas como Drake, Britney Spears e The Weeknd, gerando músicas “falsas” ou covers que nunca foram feitos na vida real. No Brasil, parte do público criticou um comercial de carro que “ressuscitou” Elis Regina por meio de deepfake. Além do questionamento ético, essas práticas também esbarram em questões sobre direitos autorais e a autenticidade de uma obra.

Músicas automatizadas e genéricas: Algumas ferramentas de IA produzem trilhas genéricas para jingles e bancos de música, além de existirem também aplicativos que produzem de forma automatizada músicas “do zero”. Isso pode inundar o mercado com sons sem conexão com a essência artística.

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